


Ela mal conseguia sorrir. As bochechas ficavam presas, e suas mãos iam uma hora para cabelo outra para mexer nos lábios. Na verdade ela não sabia o que fazer com elas, nem o corpo inteiro, acho. Tremia de dentro pra fora, de fora pra dentro sem nem saber o que tava passando pela sua mente de tanta coisa que passava. As pessoas falavam ao seu redor, e ela nem conseguia distinguir o que diziam, mal olhava pra câmera. Uma disse “gente, cadê ele?” e silenciosamente quase a vi mandar calar a boca. Mas o silêncio seria terrível também.Na verdade, ela nem sabia o que queria. Passou tanto tempo passando e repassando aquele momento, e ali, a poucos segundos de tudo acontecer, ela se sentia esbranquiçada, mal arrumada e tremula, apesar da saber que tinha demorado horas deixando perfeito cada parte de si.Não tinha palavras param serem formadas na boca quando em algum lugar distante, lhe perguntavam alguma coisa. Droga, porque tava ali? Tinha que correr antes que ele a visse de uma vez. Primeiro encontro. Merda. Andou em círculos sendo seguida pela amiga com a câmera. Desliga isso, queria gritar, porque ele ainda não havia aparecido? Merda. Ajeitou a franja mais uma vez, respirou fundo tentando se conter para não correr. De longe alguém disse: “Ele saiu! Vai Carol. Carol? Vai! ”
Foi ai que comecei a chorar. Era só um vídeo, eu sei. Mas eles se abraçaram e foi tão… Tão como imaginei que a gente faria. Que a gente ficaria. E toda essa ideia de ver alguém tremula, com o pulmão quase explodindo por finalmente encontrar quem ama acaba comigo. Eles querem se encontrar, se beijar, se tocar e ver que cada fio de cabelo pode ser manuseado pelas pontas dos dedos. E a gente não, a gente não tem mais direito a isso. Todo aquele amor, que tá ali, registrado por aquelas câmeras, já foi nosso, e agora, ta se esvaindo da gente, ou de você, suponho. Tá deixando rastros de ausência e essas estúpidas lágrimas que não param de cair, que desejam algo novo, uma luz no fim do túnel que faça com quereremos ser aquele casal, ou que faça a gente voltar a ser como eles. Sem mais distância, essa de alma que nos invadiu, que esta nos permitindo achar que podemos um dia, amar outra pessoa. A gente se encontrou droga! Você não precisa procurar mais ninguém, eu não preciso achar que preciso de alguém. A gente precisa da gente, e só. Isso é suficiente, mais do que suficiente. É tão difícil de entender? Eu te amo, você me amava, e a gente pode se amar de novo. Porque eu sou eu, você é você, e nós somos nós. Que se pertencem mesmo antes de se encontrar, que sabem mesmo sem saber o que sentem, que no mundo, não vai haver mais ninguém. A gente só precisa se encontrar de novo, no mesmo caminho, para entender de uma vez, que droga, é o nosso amor que vale a pena.

Você não faz ideia do quando é ruim lutar com você mesmo. Parece que os monstros estão em você e que você nunca irá conseguir sair disso. Você não sabe o quanto é difícil se olhar no espelho todas as manhas e querer quebra-lo na mesma hora. Eu me odeio, me odeio tanto por fora, quando por dentro.
[Just-fakesmiles~]



